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11 de dez. de 2011

Terceiro Domingo do Advento - A Identidade de João, Jesus e a nossa identidade


Já chegamos ao terceiro domingo do advento, e para esse domingo o calendário cristão sugere alguns textos muito interessantes:

O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado. E edificarão os lugares antigamente assolados, e restaurarão os anteriormente destruídos, e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração.” Isaías 61:1-4

Porque eu, o SENHOR, amo o juízo, odeio o que foi roubado oferecido em holocausto; portanto, firmarei em verdade a sua obra; e farei uma aliança eterna com eles. E a sua posteridade será conhecida entre os gentios, e os seus descendentes no meio dos povos; todos quantos os virem os conhecerão, como descendência bendita do SENHOR. Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas jóias. Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor DEUS fará brotar a justiça e o louvor para todas as nações.” Isaías 61:8-11

Quando o SENHOR trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham. Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o SENHOR a estes. Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres. Traze-nos outra vez, ó SENHOR, do cativeiro, como as correntes das águas no sul. Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.” Salmos 126:1-6

Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” 1 Tessalonicenses 5:16-24

Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.” João 1:6-8

E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu? E confessou, e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. E perguntaram-lhe: Então quê? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não. Disseram-lhe pois: Quem és? para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo? Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. E os que tinham sido enviados eram dos fariseus. E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis. Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca. Estas coisas aconteceram em betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.” João 1:19-28

João e Jesus, por causa da sua mensagem, que entrava em choque com a religião tradicional de Israel, ambos tiveram que responder às perguntas das autoridades religiosas e mesmo do povo: "quem és tu?"(João 1:19), "quem é este homem? (Mt 21,10)".

É interessante o foco que João, no prólogo de seu evangelho, dá a identidade desses dois homens. Apesar de ser centrado na encarnação do Verbo, o texto já faz uma menção nominal a João Batista e à sua missão: João é "um homem enviado por Deus", que "veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz..." (João 1:6-8)

Atraídas por sua mensagem, vinham a João multidões procedentes tanto da Judéia e da própria capital, Jerusalém, como também de fora do país. Os chefes religiosos de Jerusalém ficaram alarmados e preocupados, pois seus fieis estavam em massa dirigindo-se a João Batista, o que era uma ameaça ao prestígio e aos privilégios destes chefes. Assim, estes chefes enviam inquisidores, fariseus, saduceus, mestres da lei, para questionarem João. Mais tarde, esta mesma cúpula enviará outros inquisidores à Galiléia para investigarem sobre Jesus (Mc 7,1).

Em resposta àqueles que o questionavam, João rejeita qualquer caráter messiânico, e identifica-se com o precursor anunciado pelo profeta Isaías (Is 40,3). E afirma que o batismo iniciado por ele terá sua plenitude com "alguém que vós não conheceis ... que vem depois mim".

Como disse Harold Segura, num texto muito interessante publicado na Novos Diálogos:

João, o Batista sabe quem é (identidade) e sabe também para quê foi enviado (vocação). Podemos fazer a mesma observação sobre Jesus: ele sabe que é Filho Amado de Deus e que foi enviado para anunciar a chegada do Reino. Estes dois aspectos, identidade e vocação, contribuem para a formação saudável do sentido da vida de qualquer pessoa.

João, o Batista sabe quem é, mas sabe também quem não é. O último é tão importante quanto o primeiro. João expressa abertamente: "Eu não sou o Messias". Tampouco o profeta Elias. E quando lhe perguntam com insistência: "Então, quem é você?", ele responde que é "uma voz que grita no deserto".

João sabe muito bem que não é o Messias. Tampouco pretende sê-lo. Não necessita se vangloriar daquilo que não é, mas afirmar o que é e cumpri-lo cabalmente. Se soubéssemos que não somos o Messias viveríamos nossa vocação com maior liberdade, a de servos e servas inúteis à causa do Reino de Deus e de sua justiça. Adeus aos messianismos!, sejam políticos, religiosos, institucionais ou culturais.

João reconhece quem Ele é e não é. Ele reconhece que Ele não é o centro de tudo, mas que há alguém infinitamente maior que ele que é a causa e o alvo do seu ministério.

Dando continuidade e pleno sentido ao anúncio de João, Jesus, no início de seu ministério se apresentará como aquele que é portador do Espírito(Mt. 3:13-17, Mc. 1:9-11, Lc. 3:21-22, Jo. 1;29-34), e que anuncia as boas novas aos pobres e vem libertar os oprimidos, fazendo brotar a justiça (Isaías 61, Lucas 4). É Ele quem nos liberta do cativeiro, e enche nossa boca de riso (Salmo 126). É o Espírito Dele, que nos traz alegria e nos move à oração e ao amor para com nossos irmãos, em contínua ação de graças (1 Tes. 5).

Como disse Igor Miguel, num texto sobre os Cinco Solas:

Um cristão reformado sabe que somente Cristo pode revelar o Pai (Jo 1:18), que Ele é o Ungido, o Messias, Rei, Servo e Cordeiro de Deus e o Verbo de Deus. Aquele por quem e para quem todas as coisas foram criadas (Jo 1:3; Cl 1:16). Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, amado desde a Eternidade pelo Pai, revelou-se aos homens por meio de sua encarnação, íntegro de sua divindade e humanidade, para trazer os homens para o Pai. Em sua humilhação, morte e ressurreição Jesus Cristo inaugura uma nova criação nele. Por isso, todos que se unem com Ele são "recriados" (Ef 2:10) e por isso em Jesus um nova humanidade emerge, para a Glória de Deus. Jesus Cristo é a pedra angular de onde emerge uma comunidade renovada, eleita e preciosa, chamada "Igreja" (Ef 2:20 e I Pe 2: 6 e seg.).

O advento é o tempo para reconhecermos quem Jesus é. O tempo de reconhecermos que Ele é o Messias, o Rei, o Senhor, o Centro, o Tudo na criação e na redenção. O tempo de reconhecermos a nossa identidade, reconhecendo que não somos o centro do mundo, e nem o podemos ser. O tempo de entendermos que se não for Dele, por Ele e para Ele, de nada importa ou adianta. O tempo de descansarmos no reconhecimento de que Ele é o Filho Amado, e que somente Nele temos a nossa real identidade, vocação e esperança. Ele é a Fonte, o Rio através do qual fluímos e o Mar ao qual chegaremos!