5 de dez. de 2011

Video Dooyeweerd - Video 1 - A Influência de Abraham Kuyper



Pessoal,

Estou trabalhando para legendar alguns videos do Herman Dooyeweerd em português para que mais pessoas tenham a possibilidade de ouvir esse filósofo holandês falando. Os videos foram encontrados aqui. É uma entrevista do Dooyeweerd quando ele completou 80 anos, ou seja, em 1974, mas não tem maiores descrições sobre o entrevistador. Nessa primeira parte ele fala do conceito de Soberania das Esferas de Abraham Kuyper e a influência desse termo no seu trabalho filosófico. Aqueles que conhecem mais do trabalho tanto do Kuyper quanto de Dooyeweerd, por favor corrijam qualquer erro que tiver na legenda para melhorar, lembrando que essas são entrevistas para a televisão, e Dooyeweerd falou em linguagem bem acessível, para a compreensão do povo, tentei manter essa idéia na legenda.  

Se você não sabe quem foi Herman Dooyeweerd, olhe aqui (em inglês): http://www.allofliferedeemed.co.uk/dooyeweerd.htm

Em português:
http://www.freewebs.com/guilhermecarvalho/hermandooyeweerd.htm

Se você não sabe quem foi Abraham Kuyper, olhe aqui (em inglês): http://www.allofliferedeemed.co.uk/kuyper.htm

Em português:
http://www.mackenzie.br/fileadmin/Decanato_Academico/grupo_professores_cristaos/Uma_Introducao_Cosmovisao_Calvinista_Kuyperiana.pdf
http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/files/pdf/Abraham_Kuyper_e_a_Cosmovisao_Biblica.pdf

Sobre a doleantie, que é citada no início do video, leia mais aqui (em inglês): http://en.wikipedia.org/wiki/Doleantie 

PS. De acordo com o site da filosofia reformacional estes videos são para download, eu só criei a legenda para facilitar o acesso àqueles que não falam o holandês.
http://www.aspecten.org/index.php?structure_id=2bbef2e73e380e9560b34af5cccd3b2e

4 de dez. de 2011

Segundo domingo do Advento – A mensagem de João Batista


Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai benignamente a Jerusalém, e bradai-lhe que já a sua milícia é acabada, que a sua iniqüidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do SENHOR, por todos os seus pecados. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro será abatido; e o que é torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do SENHOR se manifestará, e toda a carne juntamente a verá, pois a boca do SENHOR o disse. Uma voz diz: Clama; e alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva e toda a sua beleza como a flor do campo. Seca-se a erva, e cai a flor, soprando nela o Espírito do SENHOR. Na verdade o povo é erva. Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente. Tu, ó Sião, que anuncias boas novas, sobe a um monte alto. Tu, ó Jerusalém, que anuncias boas novas, levanta a tua voz fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus. Eis que o Senhor DEUS virá com poder e seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele, e o seu salário diante da sua face. Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará suavemente.” Isaías 40:1-11

Abençoaste, SENHOR, a tua terra; fizeste voltar o cativeiro de Jacó. Perdoaste a iniqüidade do teu povo; cobriste todos os seus pecados.” Salmos 85:1-2

Escutarei o que Deus, o SENHOR, falar; porque falará de paz ao seu povo, e aos santos, para que não voltem à loucura. Certamente que a salvação está perto daqueles que o temem, para que a glória habite na nossa terra. A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram. A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus. Também o SENHOR dará o que é bom, e a nossa terra dará o seu fruto. A justiça irá adiante dele, e nos porá no caminho das suas pisadas.”  Salmos 85:8-13

Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus; Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados. E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. E João andava vestido de pêlos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.” Marcos 1:1-8

Os textos do calendário cristão para o segundo domingo do Advento, se focam em João Batista, aquele que preparou o caminho. (Um outro texto no calendário é 2 Pedro 3:8-15, mas preferi focar apenas nesses textos).

O corpo central do nosso texto apresenta-nos a missão de João Baptista (vers. 2-3), a sua pregação (vers. 4), a reação dos ouvintes (vers. 5), o seu estilo de vida (vers. 6) e o testemunho de João sobre Jesus (vers. 7-8).

Qual é, pois, a missão de João? De acordo com o nosso texto, é ser o “mensageiro” que prepara o caminho para o “Messias”, “Filho de Deus” (vers. 2). A propósito da apresentação da missão de João, o autor apresenta uma citação que atribui ao Profeta Isaías mas que é, na realidade, um conjunto de afirmações retiradas do Êxodo (cf. Ex 23,20), de Isaías (cf. Is 40,3) e de Malaquias (cf. Mal 3,1): “Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. A acumulação de citações tiradas da Torah e dos Profetas sugere que João é esse mensageiro de Deus do qual falavam as promessas antigas, e que devia vir anunciar e preparar o Povo de Deus para a intervenção definitiva de Deus na história.

No Deserto – João pregava no deserto visando fazer distinção entre ele e os líderes religiosos corruptos de Jerusalém, bem como simbolicamente relembrar Israel do êxodo (Cf. Jr. 2) e da promessa do retorno do exílio (Is. 40.1).

Pelos de camelo – As roupas e o alimento de João o identificavam com a prática dos profetas do Antigo Testamento (2 Rs. 1.8; Zc. 13.4)

Marcel Lins de Camargo escreve, no livro Cosmovisão Cristã eTransformação (Editora Ultimato), sobre o ministério de João Batista em Lucas 3:7-17, e, de acordo com ele, estudando a narrativa profética de João podemos destacar alguns pontos bem interessantes:

1- Lucas 3:7-9- Aqui João profetiza sobre o juízo de Deus e o arrependimento
2-Lucas 3:11- O profeta nos remete a distribuição de renda
3-Lucas 3:12 e 13- Novamente parece nos que João teria lido os modernos tratados de economia e sociologia, pois relaciona em sua profecia a denuncia contra a corrupção e as mazelas da pobreza na renda concentrada
4- Lucas 3:14- Nessa passagem sua voz profética sugere um conteúdo pró-anistia e um protesto contra a tortura e o abuso de autoridade
5- Lucas 3:15 e 17- Por fim, João profetiza a vinda de Cristo como doador do Espírito Santo     

Esses 5 temas compunham o conteúdo do ministério profético de João.

Hoje, nós, como igreja de Cristo estamos aguardando o dia em que o Senhor virá. Tanto no sentido que estamos no advento, aguardando o natal, quando lembraremos que Jesus veio e carne e habitou entre nós, como no sentido em que aguardamos a volta de Cristo. Será que, como Igreja, não tem algo na mensagem de João Batista que nós podemos (devemos) aprender? Será que uma distribuição de renda mais justa é menos necessária hoje, do que naquele tempo? Será que hoje há menos corrupção ou pobreza que naquela época? Será que hoje não existem tortura ou abuso de autoridade? Será que hoje a mensagem de Cristo é menos necessária?

Que durante essa semana possam aprender com João Batista, e sua mensagem no deserto...  

3 de dez. de 2011

Luz, escuro, contos de fada e monstros


por Tijs van den Brink

Contos de fadas não dizem às crianças que dragões existem. Crianças já sabem que dragões existem. Contos de fadas dizem que dragões podem ser mortos.” G.K. Chesterton

Você pode facilmente perdoar uma criança por ter medo do escuro. A real tragédia da vida, é quando os homens tem medo da luz.” Platão

Devo começar confessando que não sou pedagogo, nem tenho nenhuma formação na psicologia da criança. Este texto é, portanto, de um amador, mas procede da preocupação real com o bem estar de nossas crianças, principalmente as menores.

Também não posso deixar de dizer que, pessoalmente, não sou a favor de crianças pequenas assistirem televisão. Creio que todos nós precisamos ter limites em frente a “telinha” para não nos perdermos no mundo imaginário, esquecendo-nos do real a nossa volta (todos conhecemos aqueles que vivem mais dentro da novela do momento que na sua vida real). Mas não vejo nenhum benefício que a televisão possa trazer às crianças pequenas, principalmente porque, muitas vezes, é uma forma dos pais se “livrarem” dos filhos por algumas horas. Sei que não sou uma grande autoridade para falar do assunto já que ainda não tenho filhos. Mas por causa da minha própria educação, e observando 5 irmãos mais novos sendo educados, além de muitas famílias ao meu redor pela proximidade que a vida em missões propicía, penso que talvez meus insights possam servir para alguém, e, senão, pelo menos para a minha própria reflexão para com meus próprios filhos, quando, pela graça de Deus, me forem concedidos.

Dito isso, chego ao meu verdadeiro ponto nesse texto. Há algum tempo tenho “uma pulga atrás da orelha” quanto a alguns dos desenhos que as crianças tem assistido, mas, indo na contramão do que muitos dizem, não é pelo conteúdo violento ou altamente sexualizado de muitos desenhos e filmes infantis (não nego que estes estejam errados, e que você deva evitar que seus filhos os assistam, mas é por razões muito mais óbvias, além de que muitos outros já se expressaram sobre o assunto, que acho que nem precisamos discutir isso. Se alguém quiser ver ou ouvir mais sobre isso, me dê um toque que posso falar a respeito disso também). Minha preocupação é a respeito dos desenhos que são inocentes demais. Aqueles desenhos em  que tudo é lindo, maravilhoso, colorido e perfeito.

Muito se diz que estes desenhos são pedagógicamente corretos, que estimulam a criança com suas cores e movimentos, repetições e musicas, etc. Que são inocentes e infantis. Mas uma frase de G.K. Chesterton me fez pensar:  “Contos de fadas não dizem às crianças que dragões existem. Crianças já sabem que dragões existem. Contos de fadas dizem que dragões podem ser mortos.” Muito se diz que os desenhos pervertem as crianças, que ensinam a violência, a maldade, estimulam precocemente a sexualidade e até que atrai as crianças ao ocultismo. Muitas pessoas querem colocar nos desenhos animados a culpa pelos horrores que crianças cometem. Novamente, não quero aqui entrar na discussão se alguns desenhos tenham o poder de fazer isso ou não.

Porém, como o Chesterton disse, os desenhos, os contos de fada, não ensinam as crianças que a maldade, a monstuosidade, os “dragões” existem. Todas as crianças sabem muito bem disso. Eles são confrontados com isso todos os dias, nas suas casas, escolas e dentro de si mesmas. Sendo assim, minha preocupação vai de encontro àqueles desenhos animados que tentam negar o fato da existência do mal no mundo. Aqueles desenhos que tentam criar a ilusão de que o mundo, as pessoas, os animais, que tudo é bom, perfeito e agradável.

Principalmente para nós, como cristãos, creio que essa deve ser uma preocupação real, porque se há algo que é claro na narrativa bíblica e na história é que a humanidade não é perfeita, que o mal é uma realidade e que barbaridades e monstruosidades são comuns e recorrentes. Sabemos da realidade da nossa depravação desde a Queda descrita claramente em Gênesis 3, e que, desde então, o mal atingiu as todos nós, e em todas as áreas da existência humana.

Não, não são os desenhos que ensinam nossas crianças que há o mal, elas mesmas já nascem com a maldade, com o pecado dentro de si. E, se não forem muito bem educados, são capazes de cometer todo tipo de horror.

Por isso, não creio numa educação que ignore a existência do mal, e, portanto, não acredito em desenhos (supostamente) pedagógicos que o ignorem. Não, a educação, os desenhos, os pais, nada disso ensina a criança que o mal existe, que os dragões existem, disso ela sabe muito bem, pois o vê dentro de si mesma. Mas, como disse o Chesterton, os contos de fada, os desenhos, nossa pedagogia nesse sentido, devem ensinar que o mal pode, e deve, ser derrotado.

Porque então os nossos desenhos chegaram a esse ponto? Para isso, creio que a frase de Platão se aplica perfeitamente: “Você pode facilmente perdoar uma criança por ter medo do escuro. A real tragédia da vida, é quando os homens tem medo da luz.” A grande surpresa dos nossos tempos não é que as crianças têm medo do escuro, isso elas sempre tiveram. Como já disse antes, elas sabem que há algo de errado, e por isso sentem medo, por exemplo quando  são separados daqueles que os protegem, ou, deveriam proteger, que são os pais. Por isso, não há nada de errado se uma criança tem medo de ficar sozinha no quarto, no escuro (claro que, se seu filho ainda sofre disso aos 16 anos é para se preocupar!). A real questão, que fica explícita nessa questão dos desenhos, é o medo que os adultos têm da luz.

Sim, porque a questão que para mim, talvez não seja tanto que os adultos temem que as crianças saibam que existe o mal, mas que eles (os adultos) querem evitar essa questão. Na nossa era de relativismos se tornou muito difícil falar de questões como maldade, erro, pecado, etc. De certa forma porque não é políticamente correto. Quem sou eu para julgar se o que você crê ou faz é errado (desde que não seja prejudicial para mim, claro), isso é relativo. Depende da sua crença.

Mas nisso tem outra questão, pois, se há o “mal”, se existe a “maldade”, há também o “bem”. Por exemplo, muitas pessoas querem usar o Nazismo, e o Holocausto como provas de que Deus não existe, “se Deus estivesse aí Ele tinha impedido que 6 milhões de Judeus fossem assassinados.” Mas o Holocausto não é a prova que Deus não existe, mas a prova de que o mal existe, e que nós somos muito capazes de cometê-lo. Como disse o teólogo Richard Niebuhr: Se existe uma doutrina que tem prova empírica é a doutrina da queda.”O problema é que, se você reclama que o mal existe, e, se você diz que o que os Nazistas fizeram é errado, é porque sabe que há um bem, é porque sabe o que é certo, e que o mal é infinitamente condenável.       

O problema, portanto, está no fato que  filosóficamente os adultos querem viver sem fazer julgamentos morais, sem precisar se pronunciar sobre o certo e o errado, sem confrontar luz e trevas. Na prática, porém, é impossível viver sem saber o que é certo ou errado. Na prática todos nós concordamos (ou, pelo menos, assim espero) que o assassinato, o estupro e a pedofilia são errados.

(Uma artigo interessante sobre esse assunto, escrito pelo Guilherme de Carvalho podeser lido aqui)

No entanto, filosóficamente, os adultos querem evitar esse ponto, e para isso querem adiá-lo enquanto puderem. Por isso querem que seus filhos assistam desenhos água-com-açucar, em que tudo é lindo, maravilhoso, perfeito e puro, e não há nenhuma idéia de mal, criando assim uma geração de crianças alienadas da realidade do mundo, entupidos de programas coloridos, musicais, mas completamente fora da percepção que as próprias crianças têm do mundo, a partir dos seguros (às vez nem tanto...) sofás da sua casa.    

Como então deveriam ser os desenhos ou programas que as crianças assistem? Creio que um bom exemplo cristão seria “As Crônicas de Nárnia”, do escritor C.S. Lewis. Se você não conhece dê uma olhada aqui e depois corra para a internet para providenciar os livros! (Sim, porque a ordem correta continua sendo, leia o livro e só depois assista o filme!!!)

As Crônicas lidam, ao mesmo tempo e equilibradamente, com o encanto e com o realismo. Lewis afasta-se tanto do água-com-açúcar dos contos de fada cor de rosa, como da violência gratuita da "nova literatura infantil" (como a veiculada por certos desenhos animados de TV).  Lewis prova, nos seus fantásticos livros, que é possivel escrever para um público infanto-juvenil (mesmo que o livro seja mais profundo que muitos livros que a maioria dos adultos lêem...), sem precisar apelar ou para a ilusão ou para a violência.

Precisamos de uma nova geração de programas infantis. Desenhos que mostrarão um mundo belo, colorido e diversificado, pois é criação de Deus. Desenhos que mostrarão a realidade do mal, da perversão, da depravação, pois houve a queda do homem. E desenhos que serão cheios de esperança, de vitória do bem sobre o mal, de bondade, graça e sacrifício, que mostram que os dragões são derrotados, pois há redenção. 

E aí, alguém topa o desafio? 

2 de dez. de 2011

Guilherme de Carvalho sobre a música brasileira

Pessoal,

Recentemente já publiquei algumas citações sobre a questão da música cristã no Brasil. Agora, continuando o assunto, uma idéia mais ampla.
Esse video do Pr. Guilherme de Carvalho, conversando com o Diego Venâncio, Stênio Marcius e Selma de Oliveira, é indispensável para qualquer um que queira pensar a respeito de música, ou talvez a palavra mais apropriada seria artes, a partir de uma perspectiva cristã, a trabalhar para que realmente Deus seja glorificado nas nossas artes.





Soli Deo Gloria

1 de dez. de 2011

Sinalize o Reino Mauricio Cunha!

Pessoal,

Mauricio Cunha foi alguém que me impactou profundamente quando o ouvi pela primeira vez. Essa é uma mensagem muito interessante sobre a relevância da igreja local na comunidade na qual está inserida. Vale a reflexão!


Mauricio Cunha - "Sinalizando o Reino de Deus" from Ariovaldo Ramos on Vimeo.

Soli Deo Gloria

Predestinação e/ou Livre arbítrio



Video muito bem humorado de Augustus Nicodemus* explicando a questão da predestinação e do livre arbítrio. Muito interessante para pensarmos.

Uma citação:

"Você pode dizer que não entende a predestinação, mas se disser que ela não é bíblica... Está errado!"

Soli Deo Gloria

Trecho do vídeo 7, "Perguntas & Respostas-3-Augustus Nicodemus", disponibilizado pelo site Escola Teológica Charles Spurgeon (http://www.escolacharlesspurgeon.com.br/nav/pregacoes/video.cshtml?id=31).


*Augustus Nicodemus Gomes Lopes é, atualmente, pastor assistente da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro - SP e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É mestre e doutor em teologia, autor de diversos livros, entre eles: "O Que Você Precisa Saber Sobre Batalha Espiritual", "A Bíblia e Sua Família", o "Culto Espiritual", "A Bíblia e Seus Intérpretes" e comentários sobre diversos livros da Bíblia.

Viver Coram Deo


Quando estava preparando esse blog, um dos detalhes que achei mais díficil escolher era o título do blog. Pensar num termo que expressa um pouco do objetivo desse blog, mas que não fosse grande nem complicado demais. Depois de algum tempo pensando acabei chegando ao título atual: Reformando Coram Deo. Mas o que significa isso? Qual é a idéia? 

Vou começar pelo segundo termo: "Coram Deo". Coram Deo é o termo, em latim, usado pelos reformistas para descrever a vida do cristão “perante a face de Deus” (perante Deus). Os reformistas compreenderam que os cristão deveriam viver de momento a momento na presença de Deus. Não apenas durante as atividades religiosas mas também nas feiras e lugares públicos. Ao contrario do que sustenta a dicotomia grega nós devemos viver “Coram Deo”: Perante Deus a todo momento.
Isso é demonstrado em textos como:  

"Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.”
1 Co 10.31
E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.”
 Cl 3:17 
Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” 
1 Pe 4.11

O ex primeiro ministro da Holanda, Abraham Kuyper, enfatizou muito essa idéia, tanto nas suas palavras com em suas ações. Assim, ele disse:

Onde quer que o homem esteja, seja o que for que faça, ou no que aplique a sua mão, na agricultura, no comercio, na industria, ou sua mente, no mundo da arte, e ciência, ele está, seja onde for, constantemente diante da face de Deus, está empregado no serviço de Deus, deve obedecer estritamente a seu Deus e acima de tudo deve ter como alvo a gloria de Deus.” 

Mas isso não ficou apenas no discurso, mas foi aplicado por ele durante toda a sua vida. Baseado nessa idéia ele fundou jornais, um partido político, uma universidade, escreveu muitos livros, foi professor, pastor, primeiro ministro, jornalista, escritor, diretor, etc. 
Descrevendo o alvo da sua vida, ele disse: 

"A comunhão de estar perto de Deus deve tornar-se realidade, na realização plena e vigorosa da nossa vida. Deve penetrar e dar cor aos nossos sentimentos, nossas percepções, nossas sensações, nossos pensamentos, nossa imaginação, nossa vontade, nosso agir, nosso falar. Não deve colocar-se como um fator estranho em nossa vida, mas deve ser a paixão que inspira por toda existência."

Voltando ao título do blog, a outra palavra é "Reformando".  Outra palavra que tem forte significado histórico. Uma das idéias da reforma é: Ekklesia Reformata et Semper Reformanda Est, que significa: Igreja Reformada sempre se Reformando. Mas não foi apenas por isso que decidi usar essa palavra.

Pois ao olharmos para grande parte da igreja hoje, vemos que o Coram Deo é um princípio  que se perdeu. A maioria dos crentes hoje vive um cristianismo que é totalmente divorciado da sua experiência de realidade. É um cristianismo subjetivo, que só é percebido, ou vivido, quando essa pessoa está na igreja ou na prática das atividades "espirituais" como orar, ler a Bíblia ou ir à igreja, mas que nada tem a ver com a vida diária da pessoa. Nada tem a dizer a respeito de trabalho, lazer, casamento, dinheiro, criar filhos, etc.

Precisamos, urgentemente, voltar ao cristianismo integral. Um cristianismo que não seja reduzido à esfera espiritual da nossa vida, mas que seja a força que impulsiona toda a nossa vida para a glória de Deus. 

Mas para que isso mude precisamos de uma reforma, nas nossas vidas e nas nossas igrejas. Portanto: Reformando Coram Deo vou continuar escrevendo nesse blog, pois, citando mais uma vez o Kuyper: 

"Um desejo tem sido a paixão predominante da minha vida. Uma grande motivação tem agido como uma espora sobre minha mente e alma. E, antes que seja tarde, devo cumprir este sagrado dever que é posto sobre mim, pois o fôlego da vida pode me faltar. O dever é este: Que apesar de toda oposição terrena, as santas ordenanças de Deus serão estabelecidas novamente no lar, na escola e no estado para o bem do povo; para esculpir, por assim dizer, na consciência da nação, as ordenanças do Senhor, para que a Bíblia e a Criação dêem testemunho, até a nação novamente render homenagens a Deus."