12 de dez. de 2011

Video Dooyeweerd - Video 2 - O coração

Atenção: Se você ainda não assistiu ao primeiro video, assista o aqui



Estou trabalhando para legendar alguns videos do Herman Dooyeweerd em português para que assim mais pessoas possam ouvir esse filósofo holandês falando. Os videos foram encontrados aqui. É uma entrevista do Dooyeweerd quando ele completou 80 anos, ou seja, em 1974, mas não tem maiores descrições sobre o entrevistador. Nessa segunda parte ele fala da idéia do coração como centro religioso do ser humano, mais uma vez sob a influência do Kuyper e o livro que este escreveu com meditações sobre o dia de pentecostes. lembrando que essas são entrevistas para a televisão, e Dooyeweerd falou em linguagem bem acessível, para a compreensão do povo, tentei manter essa idéia na legenda.


O Livro do Kuyper, sobre o Pentecostes, que é citado no video, pode ser encontrado, em inglês, aqui: http://www.allofliferedeemed.co.uk/Kuyper/Kuyper-PentecostPDF.pdf

PS. De acordo com o site da filosofia reformacional estes videos são para download, eu só criei a legenda para facilitar o acesso àqueles que não falam o holandês.
http://www.aspecten.org/index.php?structure_id=2bbef2e73e380e9560b34af5cccd3b2e 

11 de dez. de 2011

Terceiro Domingo do Advento - A Identidade de João, Jesus e a nossa identidade


Já chegamos ao terceiro domingo do advento, e para esse domingo o calendário cristão sugere alguns textos muito interessantes:

O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado. E edificarão os lugares antigamente assolados, e restaurarão os anteriormente destruídos, e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração.” Isaías 61:1-4

Porque eu, o SENHOR, amo o juízo, odeio o que foi roubado oferecido em holocausto; portanto, firmarei em verdade a sua obra; e farei uma aliança eterna com eles. E a sua posteridade será conhecida entre os gentios, e os seus descendentes no meio dos povos; todos quantos os virem os conhecerão, como descendência bendita do SENHOR. Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas jóias. Porque, como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia, assim o Senhor DEUS fará brotar a justiça e o louvor para todas as nações.” Isaías 61:8-11

Quando o SENHOR trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham. Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o SENHOR a estes. Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres. Traze-nos outra vez, ó SENHOR, do cativeiro, como as correntes das águas no sul. Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.” Salmos 126:1-6

Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” 1 Tessalonicenses 5:16-24

Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.” João 1:6-8

E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu? E confessou, e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. E perguntaram-lhe: Então quê? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não. Disseram-lhe pois: Quem és? para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo? Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. E os que tinham sido enviados eram dos fariseus. E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis. Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca. Estas coisas aconteceram em betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.” João 1:19-28

João e Jesus, por causa da sua mensagem, que entrava em choque com a religião tradicional de Israel, ambos tiveram que responder às perguntas das autoridades religiosas e mesmo do povo: "quem és tu?"(João 1:19), "quem é este homem? (Mt 21,10)".

É interessante o foco que João, no prólogo de seu evangelho, dá a identidade desses dois homens. Apesar de ser centrado na encarnação do Verbo, o texto já faz uma menção nominal a João Batista e à sua missão: João é "um homem enviado por Deus", que "veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz..." (João 1:6-8)

Atraídas por sua mensagem, vinham a João multidões procedentes tanto da Judéia e da própria capital, Jerusalém, como também de fora do país. Os chefes religiosos de Jerusalém ficaram alarmados e preocupados, pois seus fieis estavam em massa dirigindo-se a João Batista, o que era uma ameaça ao prestígio e aos privilégios destes chefes. Assim, estes chefes enviam inquisidores, fariseus, saduceus, mestres da lei, para questionarem João. Mais tarde, esta mesma cúpula enviará outros inquisidores à Galiléia para investigarem sobre Jesus (Mc 7,1).

Em resposta àqueles que o questionavam, João rejeita qualquer caráter messiânico, e identifica-se com o precursor anunciado pelo profeta Isaías (Is 40,3). E afirma que o batismo iniciado por ele terá sua plenitude com "alguém que vós não conheceis ... que vem depois mim".

Como disse Harold Segura, num texto muito interessante publicado na Novos Diálogos:

João, o Batista sabe quem é (identidade) e sabe também para quê foi enviado (vocação). Podemos fazer a mesma observação sobre Jesus: ele sabe que é Filho Amado de Deus e que foi enviado para anunciar a chegada do Reino. Estes dois aspectos, identidade e vocação, contribuem para a formação saudável do sentido da vida de qualquer pessoa.

João, o Batista sabe quem é, mas sabe também quem não é. O último é tão importante quanto o primeiro. João expressa abertamente: "Eu não sou o Messias". Tampouco o profeta Elias. E quando lhe perguntam com insistência: "Então, quem é você?", ele responde que é "uma voz que grita no deserto".

João sabe muito bem que não é o Messias. Tampouco pretende sê-lo. Não necessita se vangloriar daquilo que não é, mas afirmar o que é e cumpri-lo cabalmente. Se soubéssemos que não somos o Messias viveríamos nossa vocação com maior liberdade, a de servos e servas inúteis à causa do Reino de Deus e de sua justiça. Adeus aos messianismos!, sejam políticos, religiosos, institucionais ou culturais.

João reconhece quem Ele é e não é. Ele reconhece que Ele não é o centro de tudo, mas que há alguém infinitamente maior que ele que é a causa e o alvo do seu ministério.

Dando continuidade e pleno sentido ao anúncio de João, Jesus, no início de seu ministério se apresentará como aquele que é portador do Espírito(Mt. 3:13-17, Mc. 1:9-11, Lc. 3:21-22, Jo. 1;29-34), e que anuncia as boas novas aos pobres e vem libertar os oprimidos, fazendo brotar a justiça (Isaías 61, Lucas 4). É Ele quem nos liberta do cativeiro, e enche nossa boca de riso (Salmo 126). É o Espírito Dele, que nos traz alegria e nos move à oração e ao amor para com nossos irmãos, em contínua ação de graças (1 Tes. 5).

Como disse Igor Miguel, num texto sobre os Cinco Solas:

Um cristão reformado sabe que somente Cristo pode revelar o Pai (Jo 1:18), que Ele é o Ungido, o Messias, Rei, Servo e Cordeiro de Deus e o Verbo de Deus. Aquele por quem e para quem todas as coisas foram criadas (Jo 1:3; Cl 1:16). Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, amado desde a Eternidade pelo Pai, revelou-se aos homens por meio de sua encarnação, íntegro de sua divindade e humanidade, para trazer os homens para o Pai. Em sua humilhação, morte e ressurreição Jesus Cristo inaugura uma nova criação nele. Por isso, todos que se unem com Ele são "recriados" (Ef 2:10) e por isso em Jesus um nova humanidade emerge, para a Glória de Deus. Jesus Cristo é a pedra angular de onde emerge uma comunidade renovada, eleita e preciosa, chamada "Igreja" (Ef 2:20 e I Pe 2: 6 e seg.).

O advento é o tempo para reconhecermos quem Jesus é. O tempo de reconhecermos que Ele é o Messias, o Rei, o Senhor, o Centro, o Tudo na criação e na redenção. O tempo de reconhecermos a nossa identidade, reconhecendo que não somos o centro do mundo, e nem o podemos ser. O tempo de entendermos que se não for Dele, por Ele e para Ele, de nada importa ou adianta. O tempo de descansarmos no reconhecimento de que Ele é o Filho Amado, e que somente Nele temos a nossa real identidade, vocação e esperança. Ele é a Fonte, o Rio através do qual fluímos e o Mar ao qual chegaremos! 

10 de dez. de 2011

Maravilhosa Graça - Sola Gratia



Amazing Grace, Maravilhosa Graça, tocada de forma belíssima por um dos maiores guitarristas do metal, John Petrucci, da banda Dream Theater.  

9 de dez. de 2011

TULIP - Os Cinco Pontos do Calvinsimo - 1- Depravação Total



A.  O LIVRE ARBÍTRIO OU HABILIDADE HUMANA CONTRASTADO COM A INABILIDADE TOTAL OU DEPRAVAÇÃO TOTAL

 Arminianismo: Embora a natureza humana tenha sido seriamente afetada pela queda, o homem não ficou reduzido a um estado de incapacidade total. Deus, graciosamente, capacita todo e qualquer pecador a arrepender-se e crer, mas o faz sem interferir na liberdade do homem. Todo pecador possui uma vontade livre (livre arbítrio), e seu destino eterno depende do modo como ele usa esse livre arbítrio. A liberdade do homem consiste em sua habilidade de escolher entre o bem e o mal, em assuntos espirituais. Sua vontade não está escravizada pela sua natureza pecaminosa.. O pecador tem o poder de cooperar com o Espírito de Deus e ser regenerado ou resistir à graça de Deus e perecer. O pecador perdido precisa da assistência do Espírito, mas não precisa ser regenerado pelo Espírito antes de poder crer, pois a fé é um ato deliberado do homem e precede o novo nascimento. A fé é o dom do pecador a Deus, é a contribuição do homem para a salvação.
Calvinismo: Devido à queda, o homem é incapaz de, por si mesmo, crer de modo salvador no Evangelho. O pecador está morto, cego e surdo para as coisas de Deus. Seu coração é enganoso e desesperadamente corrupto. Sua vontade não é livre, pois está escravizada à sua natureza má; por isso ele não irá - e não poderá jamais - escolher o bem e não o mal em assuntos espirituais. Por conseguinte, é preciso mais do que simples assistência do Espírito para se trazer um pecador a Cristo. É preciso a regeneração, pela qual o Espírito vivifica o pecador e lhe dá uma nova natureza. A fé não é algo que o homem dá (contribui) para a salvação, mas é ela própria parte do dom divino da salvação. É o dom de Deus para o pecador e não o dom do pecador para Deus.

A.     DEPRAVAÇÃO TOTAL OU INABILIDADE TOTAL

EVIDÊNCIAS BÍBLICAS PARA OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO

O ponto de vista que alguém toma a respeito da salvação será determinado, em grande escala, pelo conceito que essa pessoa tem a respeito do pecado e de seus efeitos sobre a natureza humana. Por isso, o primeiro ponto tratado pelo sistema calvinista é a doutrina bíblica da depravação total ou inabilidade total. Quando o calvinista fala do homem como sendo totalmente depravado, quer dizer que sua natureza é corrupta, perversa e totalmente pecaminosa. O adjetivo “total” não significa que cada pecador está tão completamente corrompido, ou pervertido, em suas ações e pensamentos quanto lhe seja possível ser. O termo é usado para indicar que todo o ser do homem foi afetado pelo pecado. A corrupção estende-se a todas as partes do homem, corpo e alma. O pecado afetou a totalidade das faculdades humanas - sua mente, sua vontade, etc. (Confissão de Fé, VI - II. Por este pecado eles decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da alma. Ref. Gen. 3:6-8; Rom. 3:23; Gen. 2:17; Ef. 2:1-3; Rom. 5:12; Gen. 6:5; Jer. 17:9; Tito 1:15; Rom.3:10-18.).

Também se pode usar o adjetivo “total” para incluir nele toda a raça humana, sem exceção. Como resultado dessa corrupção inata, o homem natural é totalmente incapaz de fazer qualquer coisa espiritualmente boa. É o que se quer dizer por “inabilidade total”. A inabilidade referida nessa terminologia é a “inabilidade espiritual”. Significa que o pecador está tão espiritualmente falido que ele nada pode fazer com respeito à sua salvação, ele é totalmente incapaz de responder a Deus. É evidente que muitas pessoas não salvas, quando julgadas pelos padrões humanos, possuem qualidades admiráveis e realizam atos virtuosos. Porém, quando julgadas pelos padrões divinos, são incapazes de fazer o bem como bem diz a Confissão de Fé de Westminster, XVI, 1 e 7:

I. Boas obras são somente aquelas que Deus ordena em sua santa palavra, não as que, sem autoridade dela, são aconselhadas pelos homens movidos de um zelo cego ou sob qualquer outro pretexto de boa intenção.
Ref. Miq. 6:8; Rom. 12:2; Heb. 13:21; Mat. I5:9; Isa. 29:13; I Ped. 1:18; João 16:2; Rom. 10:2;1 Sam. I5:22; Deut. 10:12-13; Col. 2:16, 17, 20-23.

VII. As obras feitas pelos não regenerados, embora sejam, quanto à matéria, coisas que Deus ordena, e úteis tanto a si mesmos como aos outros, contudo, porque procedem de corações não purificados pela fé, não são feitas devidamente - segundo a palavra; - nem para um fim justo - a glória de Deus; são pecaminosas e não podem agradar a Deus, nem preparar o homem para receber a graça de Deus; não obstante, o negligenciá-las é ainda mais pecaminoso e ofensivo a Deus.
Ref. II Reis 10:30, 31; Fil. 1:15-16, 18; Heb. 11:4, 6; Mar. 10:20-21; I Cor. 13:3; Isa. 1:12; Mat. 6:2, 5, 16; Ag. 2:14; Amós 5:21-22; Mar. 7:6-7; Sal. 14:4; e 36:3; Mat. 2,5:41-45, e 23:23.

O homem natural está escravizado pelo pecado: é filho de Satanás, rebelde para com Deus, cego para com a verdade, corrompido e incapaz de salvar-se a si mesmo ou de preparar-se para a salvação.

Em resumo, o não regenerado está morto em pecado e sua vontade está escravizada à sua natureza má. O homem não veio das mãos do seu Criador nessa condição depravada. Deus fez a Adão perfeito, sem qualquer maldade em sua natureza. Originalmente, a vontade de Adão estava livre do domínio do pecado. Ele não estava sujeito a qualquer compulsão natural para escolher o mal; porém, por sua queda, trouxe a morte espiritual sobre si mesmo e sobre toda a sua posteridade. Desse modo, lançou a si mesmo e a toda a raça na ruína espiritual e perdeu para si e para os seus descendentes a habilidade de fazer escolhas certas no campo espiritual. Seus descendentes ainda são livres para escolher - todo homem faz escolhas em sua vida - mas, visto que a geração de Adão nasce com natureza pecaminosa, não tem a habilidade para escolher o bem ao invés do mal. Por conseguinte, a vontade do homem não é mais livre (i.e., livre do domínio do pecado) como era livre a vontade de Adão, antes da queda. Em vez disso, a vontade do homem, como resultado da depravação herdada, está escravizada à sua natureza pecaminosa. A Confissão de Fé de Westminster nos dá uma declaração clara e concisa dessa doutrina:

O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso” (IX, 3) (Ref. Rom. 5:6 e 8:7-8; João 15:5; Rom. 3:9-10, 12, 23; Ef.2:1, 5; Col. 2:13; João 6:44, 65; I Cor. 2:14; Tito 3:3-5.)

Os reformadores concordam que o homem foi dotado de vontade livre, mas concordam com a tese de Lutero, defendida em sua obra “A Escravidão da Vontade”, de que o homem não está livre da escravidão de Satanás. O Calvinismo diz que o homem não regenerado é absolutamente escravo de Satanás, e, por isso, é totalmente incapaz de exercer sua própria vontade livremente (para salvar-se), dependendo, portanto, da obra de Deus, que deve vivificar o homem, antes que esse possa crer em Cristo.

1.   Como resultado da transgressão de Adão, os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos; portanto, para se tornarem filhos de Deus e entrarem no Seu reino precisam nascer de novo, do Espírito.

a)      Quando Adão foi colocado no jardim do Éden, foi advertido para não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, sob pena de imediata morte espiritual:

Gn 2.16-17 Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

b)  Adão desobedeceu e comeu do fruto proibido (Gn 3:1-7); por conseguinte, trouxe morte espiritual sobre si mesmo e sobre a raça:

   Rm 5.12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.
   Ef 2.1-3 Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.
   Cl 2.13 e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos;

c) Davi confessou que tanto ele, como os demais homens, foram nascidos em pecado:

Sl 51.5 Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe.
   Sl 58.3 Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras.

d) Porque os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos.  Jesus ensinou que, para alguém entrar no reino de Deus, é preciso nascer de novo:

Jo 3.5-7 Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.

2.   Como resultado da queda, os homens estão cegos e surdos para a verdade espiritual. Suas mentes estão entenebrecidas pelo pecado; seus corações são corruptos e malignos:

Gn 6.5 Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.
   Gn 8.21 Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer.
   Ec. 9.3 Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo. Também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade; há desvarios no seu coração durante a sua vida, e depois se vão aos mortos.
   Jr 17.9 Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?
   Mc 7.21-23 Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios, a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem.
   Jo 3.19 E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.
   Rm 8.7-8 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus.
   I Co 2.14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
   Ef 4.17-19 Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na vaidade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; os quais, tendo-se tornado insensíveis, entregaram-se à lascívia para cometerem com avidez toda sorte de impureza.
   Ef 5.8 pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz
   Ti 1.15 Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas.

3.   Antes dos pecadores nascerem no reino de Deus pelo poder regenerador do Espírito, são filhos do diabo e estão debaixo de seu controle. São escravos do pecado:

Jo 8.44 Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira.
   Ef 2.12 estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.
   II Tm 2.25-26 corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, e que se desprendam dos laços do Diabo (por quem haviam sido presos), para cumprirem a vontade de Deus.
   I Jo 3.10 Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem o que não ama a seu irmão.
   I Jo 5.19 Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno.
   Jo 8.34 Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.
   Rm 6.20 Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres em relação à justiça.
   Ti 3.3 Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.

4.  O domínio do pecado é universal: todos os homens estão debaixo do seu poder; por conseguinte, ninguém é justo, nem um só.

II Cr 6.36 Se pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares ao inimigo, de modo que os levem em cativeiro para alguma terra, longínqua ou próxima;
   Jó 15.14-16 Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para que fique justo? Eis que Deus não confia nos seus santos, e nem o céu é puro aos seus olhos; quanto menos o homem abominável e corrupto, que bebe a iniqüidade como a água?
   Sl 130.3 Se observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá?,
   Sl 143.2 e não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente.
   Pv 20.9 Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?
   Ec 7.20 Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque.
   Ec. 7.29 Eis que isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas os homens buscaram muitos artifícios.
   Is. 53.6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.
   Is. 64.6 Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como o vento, nos arrebatam.
   Rm 3.9-12 Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.
   Tg 3.2 Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo.
   Tg 3.8 mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal.
   I Jo 1.8-10 Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

5. Os homens, sendo deixados em seu estado de morte, são incapazes, por si mesmos, de se arrepender, de crer no evangelho ou de vir a Cristo. Não têm poder, em si mesmos, para mudar sua natureza ou preparar-se para a salvação:

Jó 14.4 Quem do imundo tirará o puro? Ninguém.
   Jr. 13.23 pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas malhas? então podereis também vós fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal.
   Mt 7.16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
   Mt 7.18 Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.
   Mt 12.33 Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom; ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.
   Jo 6.44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
   Jo 6.65 E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido.
   Rm 11.35 Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?
   I Co 2.14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
   I Co 4.7 Pois, quem te diferença? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?
   II Co 3.5 não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus,

Outros textos que mostram que os homens são incapazes de fazer qualquer coisa para ganhar a salvação serão dados no Ponto IV, sobre a Graça Eficaz, especialmente aqueles que declaram que Deus é quem dá a fé e o arrependimento, cria um novo coração, e outras expressões semelhantes.

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 Para elaborar esse estudo usei amplamente os livros: TULIP – Os cinco pontos do Calvinismo à Luz das Escrituras (Editora Parakletos) de Duane Edward Spencer (disponível aqui), e Os Cinco Pontos do Calvinismo (Tradução livre e adaptada do livro The Five Points of Calvinism - Defined, Defended, Documented, de David N. Steele e Curtis C. Thomas, Partes I e II, [Presbyterian & Reformed Publishing Co, Phillipsburg, NJ, USA.], feita por João Alves dos Santos) (pode ser encontrado aqui)

Outros Recursos:

http://www.youtube.com/watch?v=Sy0e8Ok53S0 – John Piper sobre Depravação Total e Graça Irresistível

http://www.youtube.com/watch?v=AjxJdjFmh2M – John Piper sobre Eleição Incondicional

http://www.igrejaesperanca.org.br/podcast/series/3-os-canones-de-dort - Pr. Guilherme de Carvalho explica os 5 pontos. 




8 de dez. de 2011

Pb. Adriano Tavares: A PALAVRA É EBENÉZER: ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR...

Pessoal,

Esse é um erro que já vi muita gente cometer, repetindo uma dessas frases feitas no evangelicalismo. Eu já estava pensando em escrever a respeito, mas me deparei com esse artigo já escrito pelo Adriano Tavares, então resolvi apenas republicá-lo aqui no blog.

Não, Ebenézer NÃO significa: "Até aqui nos ajudou o Senhor"... Se quiser saber o significado real da palavra, e uma explicação do motivo da confusão, entre no link abaixo!

Pb. Adriano Tavares: A PALAVRA É EBENÉZER: ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR...: A PALAVRA É EBENÉZER: ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR? "Tomou, então, Samuel uma pedra, e a pôs entre Mispa e Sem, e lhe chamou Eben...


7 de dez. de 2011

Eu tenho esperança



Texto do video por Guilherme de Carvalho

"Pense na esperança que nos é concedida pelo evangelho; reconheça a renovação da criação como o alvo de todas as coisas em Cristo e o empreendimento que já foi consumado na ressurreição; pratique obras de justiça, de beleza e de evangelismo, de renovação do espaço, tempo e matéria, como em antecipação ao propósito final e ao estabelecimento daquilo que Jesus conquistou em sua morte e ressurreição. Esse é o caminho para a genuína missão de Deus e para remodelar a igreja pela missão e para a missão."

N.T. Wright - Surpreendido pela Esperança - Editora Ultimato

TULIP - Os cinco pontos do Calvinismo - Introdução


A pedidos, vou explicar um pouco de um assunto complicado, mas extremamente necessário, que são os cinco pontos do calvinismo, ou, popularmente, o TULIP. Na verdade, me veio uma pergunta por explicações a respeito de um dos pontos, mas não acho que os pontos do calvinismo possam ser entendidos isoladamente pelas fortes conexões que um ponto tem com o outro.

Uma vez que essas cinco doutrinas não são apresentadas na Bíblia como unidades separadas ou independentes, mas são entretecidas na mensagem bíblica como um sistema único, harmonioso e interrelacionado, cada uma delas só pode ser inteiramente apreciada se for vista à luz das outras quatro. Elas se explicam e se apoiam, mutuamente. Julgar essas doutrinas individualmente, sem relacionar uma com a outra, seria como tentar avaliar um quadro de Rembrandt olhando-se para cada uma das cores de cada vez e nunca vendo a obra como um todo. Por isso, a evidência bíblica para cada ponto não deve ser julgada separadamente, mas à luz de uma visão das cinco doutrinas como um só sistema. Quando assim adequadamente correlacionadas, elas formam uma corda de cinco tiras de inquebrável resistência.

Os Cinco Pontos do Calvinismo

Os Cinco Pontos do Calvinismo tiveram sua origem a partir de um protesto que os seguidores de Jacobus Arminius (Jakob Herman, um professor de seminário holandês) apresentaram ao “Estado da Holanda” em 1610, um ano após a morte de seu líder. O protesto consistia de  “cinco artigos de fé”, baseados nos ensinos de Armínio, e ficou conhecido na história como a “Remonstrance”, ou seja, “O Protesto”. O partido arminiano insistia que os símbolos oficiais de doutrina das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg) fossem mudados para se conformar com os pontos de vista doutrinários contidos no Protesto.

OS “CINCO PONTOS DO ARMINIANISMO”

Os cinco artigos de fé contidos na “Remonstrance” podem ser resumidos no seguinte:

1.  Deus elege ou reprova na base da fé prevista ou da incredulidade.

2.  Cristo morreu por todos os homens, em geral, e em favor de cada um, em particular, embora somente os que crêem sejam salvos.

3.  Devido à depravação do homem, a graça divina é necessária para a fé ou qualquer boa obra.

4.  Essa graça pode ser resistida.

5.  Se todos os que são verdadeiramente regenerados vão seguramente perseverar na fé é um ponto que necessita de maior investigação.

Portanto, eles afirmam, as Escrituras devem ser interpretadas como ensinando as seguintes posições:
      
            1. O homem nunca é de tal modo corrompido pelo pecado que não possa crer salvaticiamente (salvificamente) no Evangelho, uma vez que este lhe seja apresentado;

2.  O homem nunca é de tal modo controlado por Deus que não possa rejeitá-lo;

3.  A eleição divina daqueles que serão salvos alicerça-se sobre o fato da previsão divina de que eles haverão de crer, por sua própria deliberação;

4.  A morte de Cristo não garantiu a salvação para ninguém, pois não garantiu o dom da fé para ninguém (e nem mesmo existe tal dom); o que ela fez foi criar a possibilidade de salvação para todo aquele que crê;

5.  Depende inteiramente dos crentes manterem-se em um estado de graça, conservando a sua fé; aqueles que falham nesse ponto, desviam-se e se perdem.

Dessa maneira, o arminianismo faz a salvação do indivíduo depender, em última análise, do próprio homem, pois a fé salvadora é encarada, do princípio ao fim, como obra do homem, pertencente ao homem e nunca a Deus.

A REJEIÇÃO DO ARMINIANISMO PELO SÍNODO DE DORT E A FORMULACÃO DOS CINCO PONTOS DO CALVINISMO

Em 1618 foi convocado um Sínodo nacional para reunir-se em Dort, a fim de examinar os pontos de vista de Armínio à luz das Escrituras. Essa convocação foi feita pelos Estados Gerais da Holanda para o dia 13 de novembro de 1618. Constou de 84 membros e 18 representantes seculares. Entre esses estavam 27 delegados da Alemanha, Suíça, Inglaterra e de outros países da Europa. Durante os sete meses de duração do Sínodo houve 154 sessões para tratar desses artigos.

Após um exame minucioso e detalhado de cada ponto, feito pelos maiores teólogos da época, representando a maioria das Igrejas Reformadas da Europa, o Sínodo concluiu que, à luz do ensino claro das Escrituras, esses artigos tinham que ser rejeitados como não bíblicos. Isso foi feito por unanimidade. Além de rejeitar os cinco artigos de fé dos arminianos, o Sínodo formulou o ensino bíblico a respeito desse assunto na forma de cinco capítulos que têm sido, desde então, conhecidos como “os cinco pontos do Calvinismo”, pelo fato de Calvino ter sido grande defensor e expositor desse assunto. A tese mais tarde ficou conhecida como TULIP

T  Total depravity                              Depravação Total
U  Unconditional Election                Eleição Incondicional
L   Limited Atonement                      Expiação Limitada
I   Irresistible Grace                            Graça Irresistível
P  Perseverance of the Saints         Perseverança dos Santos   

Embora cause estranheza a muitos essa posição, devido à mudança teológica que as igrejas têm sofrido desde vários séculos, os reformadores eram unânimes em condenar o arminianismo como uma heresia ou quase isso. O sínodo restabeleceu todas as doutrinas que haviam sido sustentadas por praticamente todos os reformadores e pelo Pai da Igreja Agostinho de Hipona (354–430 D.C.), mil e duzentos anos antes. A salvação era vista como uma obra da graça de Deus, do começo ao fim, sem qualquer contribuição do homem. Essa posição pode ser resumida na seguinte proposição: Deus salva pecadores.

Ao contrário do que muitas vezes se diz, o centro do Calvinismo não é a doutrina da predestinação, mas sim a Soberania de Deus, a idéia de Deus como Soberano, tanto na criação como na redenção do universo criado por Ele. Pode se ver isso claramente nas Escrituras em passagens como Col. 1:15-20 e Rm. 11:33-36.

Deus é, portanto, Soberano sobre todas as coisas, inclusive a salvação. Como disse o profeta Jonas: “... Ao Senhor pertence a salvação.” Jonas 2:7. Por isso entendemos que a salvação depende de Deus, e não do homem. A graça é, nesse sentido, incondicionalmente uma dádiva de Deus.    


Por causa do espaço aqui no blog terei que dividir o estudo em algumas partes, mas isso não significa que estejam desconexos um dos outros.

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Para elaborar esse estudo usei amplamente os livros: TULIP – Os cinco pontos do Calvinismo à Luz das Escrituras (Editora Parakletos) de Duane Edward Spencer (Disponível aqui), e Os Cinco Pontos do Calvinismo (Tradução livre e adaptada do livro The Five Points of Calvinism - Defined, Defended, Documented, de David N. Steele e Curtis C. Thomas, Partes I e II, [Presbyterian & Reformed Publishing Co, Phillipsburg, NJ, USA.], feita por João Alves dos Santos) (o segundo pode ser encontrado aqui)

Outros Recursos:

http://www.youtube.com/watch?v=Sy0e8Ok53S0 – John Piper sobre Depravação Total e Graça Irresistível

http://www.youtube.com/watch?v=AjxJdjFmh2M – John Piper sobre Eleição Incondicional

http://www.igrejaesperanca.org.br/podcast/series/3-os-canones-de-dort - Pr. Guilherme de Carvalho explica os 5 pontos.