5 de fev. de 2014

Utopia

‘Sabe,’ digo, enquanto pego a mão dele e a coloco sobre a minha coxa, ‘não seria legal testar as suas idéias em uma experiência ao vivo, e filmar isso?’ Como cheguei a uma idéia dessas eu não sei, mas eu mesma sou totalmente levada por ela.
‘As pessoas podem se inscrever para participarem,’digo. ‘É voluntário, claro, com certeza. Então você escolhe um grupo bem diversificado de pessoas e faz com que eles estudem, primeiro, todas as formas de sociedade que já foram desenvolvidos. Os gregos antigos, filósofos, talvez romances. Tudo que eles tiverem vontade. Pode deixar a sua mão aí, se quiser. Por mim, você também lhes mostraria os quadros e suas instalações. Depois de um tempo, um ano digamos, eles precisam construir uma vila em um campo.’
Eu tomo fôlego e digo: ‘E nós também participamos’.
Eu digo tudo isso para rirmos. Mas será  que é tão ridículo? Sempre se pode aprender algo disso. E pelo menos os dias não serão mais todos iguais.
Infelizmente não impressionei. Erik acha que isso parece um programa ruim nas TV comercial. Ele leva muito a sério e demole a idéia até o chão.
De repente sei porque tenho dor de cabeça por todo esse tempo.
Resumindo, algo tão prático não é coisa para o Erik. Um historiador não precisa de mais prática para saber o que funciona e o que não funciona. E um experimento social é, por definição, perigoso. É só olhar para a história
. (trecho do livro De Woongroep [A comunidade] da autora holandesa Franca Treur, pg. 37-38, tradução minha)

Encontrando meu caminho pela Holanda e analisando principalmente o contexto religioso desse país que depois de tanto tempo voltou a ser meu lar, me deparei com alguns autores que por aqui causaram bastante reboliço com seus livros com profundos questionamentos e críticas à religião cristã e principalmente a tradição reformada, que é (foi) muito forte por aqui. Foi assim que conheci a jovem autora Franca Treur cujo romance de estréia, Confetti op de Dorsvloer, ficou bastante conhecido por aqui (e foi traduzido para o português, leia a respeito aqui, aqui, aqui e aqui). 

Assim, quando saiu seu segundo livro no começo desse ano, não demorei para comprá-lo e começar a ler. Mas o que realmente me chamou a atenção foi uma entrevista da autora em que ela  falava do trecho supracitado e depois apontou para um programa que estrearia em poucos dias: Utopia.

Para surpresa da autora (e minha) alguém não achou, como o Erik, que era uma idéia ridícula quando a teve e fez um reality show, chamado Utopia, em que os participantes constroem a sua utopia. Há um milhão de razões pelas quais não me interesso muito por reality shows, e não costumo gastar meu tempo assistindo-os, mas resolvi assistir um pouco desse para escrever esse texto.

A idéia do programa é que pegaram um grupo de pessoas que devem construir a sociedade ideal deles em um ano. No entanto, não aderiram a primeira parte que a protagonista da história de Treur propôs. A maioria conhece muito pouco de filosofia ou política e não leram ou estudaram para participarem. No primeiro episódio um dos rapazes mais esclarecidos quanto a temas filosóficos (e que pelo jeito pensou que os outros também o seriam) disse que presumia que todos tinham lido Utopia, de Thomas More, livro cujo título serve de inspiração para o programa, supostamente porque o livro fará 500 anos (foi escrito em 1516, ou seja, ainda por cima erraram a conta... Mas o título procede do livro assim como o Big Brother foi tirado do romance 1984 de George Orwell apesar de toda semelhança dos programas com os livros parar aí). Para surpresa do rapaz nenhum dos outros tinham lido o livro...

De Optimo Reipublicae Statu deque Nova Insula Utopia (em português: Sobre o melhor estado de uma república e sobre a nova ilha Utopia) ou simplesmente Utopia é um livro de 1516 escrito por Sir Thomas More (Londres, 7 de Fevereiro de 1478 — Londres, 6 de Julho de 1535) que foi um  estadista, diplomata, escritor, advogado e homem de leis, ocupou vários cargos públicos, e em especial, de 1529 a 1532, o cargo de "Lord Chancellor" (Chanceler do Reino - o primeiro leigo em vários séculos) de Henrique VIII da Inglaterra. É geralmente considerado como um dos grandes humanistas do Renascimento. Foi canonizado em 1935. Escrito em latim,Utopia foi sua principal obra literária e tornou-se sinônimo de projeto irrealizável; fantasia; delírio; quimera; lugar que não existe, dando uso mais amplo do então neologismo "utopia".

Ou seja, o nome é apenas mais uma desculpa para os holandeses inventarem outro reality show ruim (para quem não sabia, foram os holandeses que inventaram o Big Brother e dezenas de outros reality shows que se espalharam por todo o mundo...). Mas a idéia serve para reflexão, já que é mais uma tentativa desesperada de afirmação da bondade humana e a solução de todos (ou a maioria) os problemas se retirados os “fatores malignos da sociedade”. E assim, quando se ouve as razões pelas quais as pessoas vieram ao programa, alguns dizem coisas vagas como que a ganância é um problema na sociedade, ou que querem cuidar melhor do meio ambiente, mas também há quem diga que quer se tornar adulto ou que quer que tudo seja uma grande festa.

Alguns fatores logo chamaram a minha atenção. Por exemplo, não há famílias na Utopia. Todos os que participam estão sozinhos. Alguns deixando conjuges e filhos, outros namorados, pais, irmãos, etc. Pelo jeito não cabem famílias em utopias e são buscas solitárias por felicidade. (A respeito disso, veja o filme Into the Wild [Na Natureza Selvagem]) 

Além disso, apesar de terem afirmado que não teria hierarquias de forma alguma, rapidamente líderes e seguidores surgem e alguns claramente tomam a frente e começa a formação de panelinhas que dentro de alguns dias já estão falando em votar algumas pessoas para fora da utopia (como todo reality show de televisão precisa ter a eliminação de pessoas do programas e portanto a expulsão de alguém da Utopia, para fins de competição e emoção no programa, o que já levanta muitos questionamentos quanto a essa utopia).   

“Why does it rain down on Utopia? Why does it have to kill the ideal of who we are?” (Porque chove na Utopia? Porque precisa matar o ideal de quem nós somos?) O refrão da música Utopia da banda holandesa Within Temptation (veja o video mais em baixo) mostra que há um problema no pensamento “utopiano”: na prática não funciona.     

Ou seja, o resultado do reality show é muito previsível, e não tarda a aparecer na série. Já nos primeiros episódios há uma quantidade impressionante de brigas e discordâncias, e fica muito claro que é  impossível se construir uma sociedade perfeita, simplesmente porque é feita de seres humanos, e o problema não são fatores sociais mas sim o coração humano (Mc. 7.14-23), profundamente afetado pela queda no pecado (Gen. 3). E, além disso, como disse o Erik no trecho que citei de Treur, a história demonstra que as tentativas de se construir utopias não acabam bem. Principalmente após as duas grandes guerras que devastaram a Europa e muitas outras partes do mundo, a ilusão otimista que cresceu após a Renascença e que teve o seu ápice no século XIX, de que o homem estava se desenvolvendo teccnologicamente para uma sociedade ideal cairam por terra diante da realidade da devastação causada por esses ideais.

Mesmo que a  televisão jamais os deixaria passando fome, por exemplo, já que isso afetaria muito negativamente o canal e os produtores, e  já que certamente interfeririam se a coisa saísse do controle (imagine se aprovassem a pena de morte, por exemplo. Quanto a isso veja os filmes: Animal Farm [a Fazenda dos Animais] e Lord of the Flies [Senhor das Moscas]), o programa é armado de tal forma que agrade os espectadores, e a verdade é que nem esses gostariam que tudo desse certo. Até onde sei, o povo assiste a reality shows para ver “o circo pegar fogo e o bombeiro entrar de greve”... (Para isso é só ver as chamadas das “noticias” dos Big Brothers da vida). Não haverá uma utopia televisiva assim como não haverá utopia na vida real. 

Não é possível construir uma sociedade ideal a partir de ideais de direita ou esquerda, tecnológicos, racionalistas ou românticos (movimento filosófico, não romance no sentido amoroso), teístas ou ateístas. Não enquanto essa sociedade for formada por pessoas no estado atual de pecado. Jamais será perfeito.
É por isso que sempre me assusta quando crentes aderem muito firmemente a um discurso político, seja de esquerda, seja de direita, e começam a crer que essa é a solução do Brasil, da Holanda, do mundo...

A Bíblia desmascara as ideologias. É só lembrar da história da construção da torre de Babel. Mas o que a Bíblia propõe no lugar dessa? Um Deus que é desde o princípio até a consumação, cuja Palavra garante o futuro, a esperança e o sentido. E essa esperança não é baseada em uma utopia mas nesse Deus que está aí e que falou, como diria Francis Schaeffer.   

O que fazer então, enquanto cristão? Nada? Não se envolver socialmente? É evidente que não.  Creio que o nosso papel, enquanto cristãos, peregrinando nessa era atual, é buscar a paz da cidade (Jr. 29.5-7), sinalizando o Reino de Deus, que já é, mas ainda não. Buscar construir a melhor, e mais justa, sociedade possível, mas sem se perder em pensamentos “utopianos” de que será perfeito, mas construir jardins de Shalom em meio a Cidade dos Homens, sinalizando a Cidade de Deus, a Nova Jerusalém que descerá do céu, e então sim tudo será perfeito. 

Video da música Utopia da banda Within Temptation:



Letra da música:

Utopia
O desejo ardente de viver e vagar livre
Brilha na escuridão e cresce dentro de mim
Você está segurando minha mão, mas você não entende
Então para onde estou indo, você não estará no final

Estou sonhando em cores de ter a chance
Sonhando de tentar o romance perfeito
Na procura pela porta para abrir sua mente
Na procura pela cura da humanidade

Ajude-nos, estamos nos afogando tão perto, por dentro

Por que chove, chove, chove em utopia?
Por que tem que se matar o ideal de quem somos?
Por que chove, chove, chove em utopia?
Como as luzes se apagarão nos contando quem somos?

Estou procurando por respostas não dadas de graça
Está se ferindo por dentro, existe vida dentro de mim?
Você está segurando minha mão, mas você não entende
Então você está pegando a estrada sozinho(a) no final

Estou sonhando em cores, sem limites
Estou sonhando o sonho e cantarei para compartilhar
Na procura pela porta para abrir sua mente
Na procura pela cura da humanidade

Ajude-nos, estamos nos afogando tão perto, por dentro

Por que chove, chove, chove em utopia?
Por que tem que se matar o ideal de quem somos?
Por que chove, chove, chove em utopia?
Como as luzes se apagarão nos contando quem somos?

Por que chove, chove, chove em utopia?
Por que tem que se matar o ideal de quem somos?
Por que chove, chove, chove em utopia?
Como as luzes se apagarão nos contando quem somos?
Por que chove?
(http://letras.mus.br/within-temptation/1556892/traducao.html)

9 de jan. de 2014

Livros antigos e leitura em 2014

Antes do começo de um novo ano sempre, querendo ou não, paramos para pensar a respeito do(s) ano(s) passado(s), e pensamos/planejamos a respeito do ano que se começa. É claro que sabemos (ou deveríamos saber...) que não temos tudo em mãos, e que, certamente ao se falar de planos para um ano inteiro se deva incluir a famosa frase de Tiago: "Se o Senhor quiser..." (Tg. 4.15). Mas creio que todos param para pensar a respeito do que querem fazer, ver, ouvir, aprender e alcançar no ano que vem.


Um desses pontos a respeito dos quais eu sempre paro para pensar quando um ano está para começar é como quero melhorar nesse ano quanto a leitura (muitos param para pensar nesse assunto, veja, por exemplo, diversas listas de 10 melhores livros lidos em 2013 no blog do amigo Allen Porto), tanto bíblica quanto de outros livros, e ler de forma mais estruturada e frequente. E nesse esforço nos dias antes da virada, procurando esquemas e sugestões para essa melhora, acabei encontrando diversas sugestões para ler mais dos Pais da Igreja, os antiquíssimos escritos dos primeiros séculos do Cristianismo.

Acabei lendo algumas coisas a respeito e resolvi tentar, começando com o famoso livro de Santo Atanásio (296-373): A encarnação do Verbo; primeiro porque há tempos estava na minha lista de livro que precisava ler, e já tinha postergado demais a leitura do mesmo, e segundo por causa da introdução escrita por C.S. Lewis na versão inglesa.
Para minha grata surpresa, Lewis também fala exatamente a respeito da importância de nos debruçarmos sobre os livros antigos. Ele diz:

"É uma boa regra que, quando se termina um livro novo (contemporâneo/recente), não se permitir ler outro livro novo antes que se tenha lido um antigo(clássico).Se isso é demais para você, deveria ler pelo menos um livro antigo a cada três novos."

Uma das razões porque um grande autor como C.S. Lewis sugere essa idéia não é por alguma ilusão quanto ao passado ou saudosismo do tipo "no passado tudo era melhor" (muito comum no futebol, p.e., mas que existe também em todas as outras áreas), mas sim porque os erros e as convicções eram diferentes. Questões que para nós parecem claras e decididas ainda estavam em pauta e precisavam ser ferozmente defendidas. Já questões que na relativização da nossa era se perderam, ou hoje precisam ser defendidas e pregadas, nos clássicos eram verdades aceitas sem muita dificuldade.
Por isso Lewis diz:

"Eu não desejo que o leitor comum não leia livros modernos. Mas se ele deve ler apenas o novo ou apenas o antigo, eu lhe indicaria os livros antigos."
   
Resolvi que essa será a estratégia que adotarei nas minhas leituras nesse ano, tentarei ler um clássico para cada livro atual. Agora falta decidir o que considerarei um clássico, mas essa é outra discussão.
Portanto, se você ainda não parou para pensar a respeito de suas leituras nesse ano, fica aí o desafio de visitar os clássicos comigo e vermos a riqueza do trabalho de tantos que nos antecederam.  





P.S. o livro com a introdução do Lewis pode ser encontrada aqui: http://www.ccel.org/ccel/athanasius/incarnation

19 de ago. de 2013

O pregador da família real holandesa e a verdadeira esperança

O Credo Apostólico diz:
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Universal; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; na vida eterna. Amém. 
É nisso que, supostamente, toda a Igreja e todos os cristãos crêem. Por séculos esse tem sido um filtro através do qual se vê o que é Cristianismo e o que é outra coisa, completamente diferente. No entanto, não é nada incomum, nos nossos dias, vermos pregadores negando esses pontos básicos da tradição, e não é estranho vermos teólogos das mais variadas denominações e tradições confessando abertamente as suas dificuldades com pontos dos Credos e Confissões da Igreja. Isso não é mais nenhuma novidade.  

Recentemente o princípe Friso, da família real holandesa, irmão do rei, faleceu devido a complicações de um acidente de esqui, ocorrido ainda no começo de 2012, na Austria. Ele passou mais de um ano em coma até que finalmente, no dia 12/08, ele veio a falecer. Toda a família real holandesa é de tradição protestante. Portanto, ele foi enterrado no cemitério da Igreja Reformada Holandesa, e o enterro foi precedido por um culto na Igreja Protestante que foi frequentada por pelo menos 4 gerações da família Oranje-Nassau. Em 1981, no entanto, a ex-rainha Beatrix, com seus marido e filhos, mudaram para Den Haag, e lá começaram a frequentar a Kloosterkerk, cujo pastor era um homem chamado Carel ter Linden (ele foi pastor nessa igreja entre 1983 e 1999), que, como pastor da família casou todos os filhos da Rainha, incluindo o atual rei, Willem Alexander, além de realizar diversos batismos e alguns eventos fúnebres, como o do esposo da ex-rainha, príncipe Claus, e agora o do príncipe Friso.

Uma pequena pesquisa quanto ao pastor ter Linden é que originou esse post, pois o mesmo já era famoso enquanto pregador dos eventos que envolvem a família real, mas se destacou muito mais esse ano ao lançar seu polêmico livro "Wat doe ik hier in GODSNAAM?" (Uma tradução literal seria: O que estou fazendo aqui, em NOME DE DEUS? Mas uma tradução mais próxima do sentido da expressão em holandês seria: Que raios estou fazendo aqui?).

Há muito tempo ele é conhecido por suas polêmicas declarações. Ele já tinha dito que se identificava com o princípe Claus (falecido marido da ex-rainha, não há fontes para falar da espiritualidade dos membros da família real, ou seja, o que importa é a opinião do pastor) que, segundo ele: era alguém que pouco tinha com as instituições eclesiásticas e a religião organizada, um homem religiosa da forma 'pós-moderna', com muitas dúvidas.

Nesse pequeno livro de 164 páginas ele confessa que não crê mais em criação, no céu, na ressurreição de Jesus, na vida após a morte e até mesmo em um Deus pessoal, ou seja, não sobrou muita coisa do Credo Apostólico supracitado (ainda não li o livro, mas como ele mesmo diz isso em diversos outros lugares, creio que seja isso mesmo).

Ele disse, em entrevista, a respeito de seu livro: "Eu me despedi de um certo tipo de Deus. De um Deus que criou o mundo e tudo que nele há, que intervêm na nossa vida, que escondidamente nos guia, que se não for da sua vontade, nada do que  acontece, aconteceria."
Em outra parte disse: "Porque esse mundo existe, porque nós enquanto seres humanos estamos aqui, não posso dizer uma palavra que faça sentido quanto a isso."
Ainda de acordo com ele, a Bíblia  seria um livro maravilhoso, cheio de imperdível sabedoria a respeito da vida, mas de forma alguma literal. Ele diz, por exemplo, que a história da páscoa é um tipo de lenda.

E aqui é que começa a minha dúvida, o que será que esse pastor disse que pudesse ter algum consolo para a família nesse momento tão difícil?

Com alguma pesquisa encontrei alguma coisa. Ele diz: "em um culto em que nos despedimos de alguém querido, nomeio as coisas pelas quais somos gratos a essa pessoa. Nisso a outra pessoa continua vivendo. E se a pessoa da qual nos despedimos confia que verá  a Deus, não tenho a necessidade de negá-lo."

Nesse sentido, o ter Linden é um teólogo liberal clássico, daqueles que negam todas as questões "sobrenaturais" da Bíblia... Para ele a Bíblia tem histórias maravilhosas que tem lições de vida e, para que essas não sejam esquecidas, é necessário que tenhamos pastores e sacerdotes. Deus é o exemplo de amor ao próximo e luta contra a injustiça que nós devemos seguir, e só...
Ele mesmo disse, em outras entrevistas que, depois de sua morte, ele não irá para Deus. Isso porque, para ele, Deus é uma palavra, a qual ele AINDA não soltou... Provavelmente Abraham Kuyper se revira no túmulo sabendo que a reforma que implantou na igreja holandesa ainda não afastou esses tipos dos pulpitos...

O que me enche de tristeza nessa história toda é saber o tipo de ofício funebre a família do princípe teve que ouvir, sem esperança, sem ressurreição, sem estar com Deus, sem Jesus.... Oro a Deus que os console na sua maravilhosa graça e amor, apesar de tipos como esses que ainda ocupam pulpitos de igrejas...

Que diferença do Guilherme de Nassau, do qual a família real é descendente, em cuja tumba está escrito o que essa família precisava ouvir: Expectat Resurectionem. "A espera da ressurreição..."

Se alguém quiser ler mais a respeito e entende holandês:

http://www.eo.nl/beam/leven/item/dominee-in-de-uitverkoop/
http://www.trouw.nl/tr/nl/9650/Prins-Friso-overleden/article/detail/3493364/2013/08/16/Dominee-Carel-ter-Linden-leidt-uitvaartdienst-Friso---wie-is-hij.dhtml
http://www.ad.nl/ad/nl/9664/Ski-ongeluk-prins-Johan-Friso/article/detail/3492846/2013/08/15/Dominee-Ter-Linden-al-30-jaar-steunpilaar-van-de-Oranjes.dhtml
http://nl.wikipedia.org/wiki/Carel_ter_Linden
http://www.eo.nl/geloven/themas/zeker-weten/item/ds-carel-ter-linden-na-mijn-dood-ga-ik-niet-naar-god/
http://www.kerkindenhaag.nl/articles/view/hofpredikant-carel-ter-linden-over-zijn-persoonlijk-geloof-26-feb
http://www.volkskrant.nl/vk/nl/9644/Prins-Johan-Friso-overleden/article/detail/3493546/2013/08/16/Uitvaartdienst-Friso-begonnen.dhtml
http://www.refdag.nl/kerkplein/kerknieuws/hofpredikant_carel_ter_linden_gelooft_niet_langer_in_persoonlijk_god_1_740751
http://marc-las.blogspot.com.br/2013/08/carel-ter-linden-wat-doe-ik-hier-in.html
http://korthof.blogspot.com.br/2013/07/carel-ter-linden-wat-doe-ik-hier-in.html
http://www.vreemdgeluid.nl/2013/algemeen/boek/carel-ter-linden-wat-doe-ik-hier-in-godsnaam/
http://www.vreemdgeluid.nl/2013/vreemdeling/wat-gelooft-carel-ter-linden-nog/
http://rankingthebooks.nl/recensie-carel-ter-linden-wat-doe-ik-hier-in-godsnaam/

14 de ago. de 2013

Ghost, a banda macabra que vai ganhando o mundo....

Uma música de tons macabros começa a tocar. Depois de alguns momentos entram cinco seres mascarados, vestidos de preto que lentamente, em ritmo quase fúnebre, assumem os instrumentos; os “Nameless Ghouls” (espectros ou bestas sem nome). O peso da música aumenta, e entra uma figura icônica, vestido como o sumo pontífice da ICAR. No entanto, as cores imediatamente se destacam. Novamente vê-se o preto, agora com tons de vermelho. Outro ponto que se destaca são as cruzes invertidas, tanto na mitra quanto nas vestes. Ao olhar para o rosto vemos que realmente  essa figura em nada se assemelha ao Vigário da Igreja Católica, apesar de carregar seu nome: Papa Emeritus (II). Ou seja, os incautos certamente se assustam com a aparencia da bizarra banda de Heavy Metal: Ghost



Ghost (ou Ghost B.C. nos Estados Unidos) é uma banda sueca formada em 2008, na cidade de Linkoping. Sua discografia é composta até o momento de uma demo, 3 EP's e dois álbuns de estúdio. Tanto a demo quanto o primeiro EP foram lançados em 2008. O primeiro lançamento possui três faixas: Ritual, Prime Mover e Death Knell, o EP, chamado Elizabeth, contém as mesmas faixas da demo mais a faixa título, que trata da conhecida história da condessa Elizabeth Bathory, que se banhava em sangue de virgens para conservar a juventude.

Em 2010 a banda lança Opus Eponymous , contendo 9 músicas e aclamado pela mídia especializada como um dos melhores lançamentos do ano. O estilo da banda remete a um hard rock/ heavy metal clássico, fortemente calcado no final da década de 70, remetendo a uma mistura de Mercyful Fate, Blue Oyster Cult e Pentagram. As letras da banda são fortemente satanistas, o que contrasta com a sensibilidade pop e os vocais limpos que permeiam todo o disco. Os teclados vintage e a produção muito limpa, sem exageros de compressão, fazem o disco soar inteiramente analógico e também remetem à década de 70 conferindo uma atmosfera que prende o ouvinte. Con Clavi Con Dio, Ritual, Death Knell, Elizabeth e Prime Mover são os destaques do álbum.

Em fevereiro, a banda lançou seu segundo EP, nomeado "Secular Haze", contendo 2 músicas: a própria Secular Haze, e I'm a Marionette, que é um cover da banda sueca ABBA com participação de Dave Grohl, atualmente do Foo Fighters, na bateria. Em 16 de abril de 2013 a banda lançou seu segundo álbum intitulado Infestissumam. Pouco depois do lançamento de Infestissumam, a banda lançou seu terceiro e ultimo EP, nomeado "Year Zero", contendo também 2 musicas: Year Zero, e Orez Raey, que seria a Year Zero do final ao começo.

As apresentações do sexteto trazem uma atmosfera cênica inspirada em rituais satânicos e filmes de terror clássicos, com todos os membros caracterizados como sacerdotes em uma missa negra. O vocalista adentra o palco vestido como um pontíficie e carregando um turíbulo utilizado nas litanias católicas.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Ghost_(banda))

Aqui tem um exemplo de uma de sua letras macabras traduzidas:

Relógio Ostensório (Monstrance Clock)

Ao som do relógio ostensório
Aqui o rebanho agregado é purificado
Hoje velas pretas queimam a noite inteira
Ao som do relógio ostensório
Aqui o rebanho agregado é purificado
Velas pretas queimam no meu altar
À medida que a paróquia emite fumaça
E te guia para a revelação
Ao som assombrado do relógio ostensório

Cantando:
Venham juntos, juntos como um só
Venham juntos pelo filho de lúcifer

Ao som do fim do dia
Hipnotizado o agregado oscila
Velas pretas queimam no meu altar

Hipnotizantes senhores do reino
Pentagrama paralisante
E o misterioso som do relógio ostensório

Cantando
Venham juntos, juntos como um só
Venham juntos pelo filho de lúcifer (x8)

Mas porque gastaria esse espaço todo no blog para falar de uma banda tão macabra?

Porque eles são um dos maiores fenômenos no rock/metal atual. Como já citei antes, a mídia especializada os amou, mas, muito mais importante, desde o lançamento de seus primeiros trabalhos são um verdadeiro fenômeno da cena underground que os adorou. Cresceram tanto que são uma das atrações do Rock in Rio (são a primeira banda sueca a tocar no renomado festival), no mês que vem, e tem shows marcados em diversas cidades brasileiras depois do grande festival. 

Grandes expoentes do Metal como James Hetfield (Metallica) e Phil Anselmo (Pantera) já declararam sua admiração pelo grupo sueco, e Dave Grohl (ex-Nirvana, ex-Queens of the Stone Age e vocalista do Foo Fighters) chegou a tocar bateria com eles.  Ou seja, se você não os conhecesse aqui hoje, em breve os conheceria em outro lugar.

Desde os seus primórdios, o Heavy Metal tem sido conectado com o oculto (muitas vezes pelos de fora). Vemos isso explicitamente em bandas como Black Sabbath e Judas Priest que são dois dos maiores expoentes do estilo em todos os tempos (aliás, o Black Sabbath também estará no Brasil em breve, com boa parte da formação original). Essas bandas, no entanto, o  faziam de forma razoavelmente comportada, e não passava muito do nome da banda e um estilo mais dark e um som mais pesado do que então se conhecia.

Mais  tarde surgem outros fenômenos, como, por exemplo o Iron Maiden  que, por causa de seu mascote Eddie, foi muitas vezes colocado na categoria de satânico. Mais tarde, surgem mais bandas que, essas sim, começam a adotar um suposto satanismo em suas letras, declarações, aparência e som. Podemos lembrar de alguns trabalhos do Slayer, o começo do Black Metal com Venom, e depois o Black Metal noruegues, com bandas como Mayhem e Burzum, e o famoso  caso das igejas queimadas, suicídio e assassinato. Mas o que é que todas essas bandas tem em comum? Todas, em seu tempo, eram considerados o mais extremo que havia em termos de som. Eram bandas agressivas tanto no som como na aparência e nas letras.

O Ghost, ao contrário das bandas anteriores, definitivamente não é Metal Extremo no seu  som, que, além de muito bem elaborado, é leve e muito agradável em muitos momentos. Ou seja, se poucas pessoas pegariam um albúm de Black Metal para ouvir, o som do Ghost é acessível a quase todos. Além de que o vocal limpo (ao contrários dos guturais do Black Metal) não deixa qualquer dúvida quanto ao conteúdo de suas letras blasfemas. Como um crítico o colocou, apesar de que houve muitos outros antes deles que carragassem o oculto, o estilo musical afastava a maioria. O Ghost abriu uma nova categoria.

Aqui, no entanto, devo abrir um grande parêntesis. Eu sou da opinião de que a maior parte do satanismo no metal é pose, e não creio que a maior parte deles faça qualquer coisa considerada satânica fora do palco. Em geral o Satanismo é uma questão muito mais filosófica que religiosa. É fato que o oculto atrai, mesmo que seja atenção negativa (o famoso: fale mal de mim mas fale de mim). E desde os primeiros grandes expoentes esse foi um dos maiores motivos do uso desses elementos (sei que devem haver exceções, mas são raros os casos).  Lendo a respeito do Ghost me parece que mais uma vez esse é o caso. Em entrevista, um dos Ghouls disse que são uma banda teatral, fãs de filmes de terror. Em outra entrevista, um Ghoul diz que o Ghost é um trabalho de criar uma obra de arte com uma estética que reflita valores anti-cristãos, e que por isso adotam o satanismo, de acordo com ele, bíblico. Mas, ao mesmo tempo, ele diz que para ele pessoalmente é zombaria para com a religião por ser um forma simplista de se ver a divindade. Além disso, ainda teriam dito que o  objetivo deles não é inverter a igrjea, mas desenhar um bigode (como se faz com o santinho do político).
Ou seja, a banda quer, de certa forma, ofender, ou, como Nietzsche diria, querem a transvaloração dos valores da sociedade. Como esses valores são, em sua maioria, herança da tradição cristã, o que o Ghost ( e muitas outras bandas do estilo) faz é ofender o Cristianismo em todas as suas expressões de arte.

Ou seja, o objetivo não é que você se converta ao satanismo, mas que o ouvinte reflita a respeito dos seus próprios valores e caminhos, além de ser um grande protesto para aqueles que cresceram em lares supostamente cristãos mas que por toda a vida viram que muitos (seus pais ou membros da igreja) o vivem de forma hipócrita e que isso os afastou da igreja.

É interessante que numa entrevista à Globo a respeito do Rock in Rio, o guitarrista do Slayer. Kerry King, diz a respeito das letras macabras no começo da carreira da banda: “Aquilo era mais quando estávamos tentando nos estabelecer como uma banda sombria. Nossa evolução foi perceber que, na verdade, nosso assunto não era o diabo. Ora, afinal, eu sou ateu! Nossas letras falam de fato é que as pessoas devem pensar por si mesmas, e não simplesmente aceitar tudo em que os outros dizem que se deve acreditar.” O mesmo é provavelmente verdade para o Ghost.

Bom, de qualquer forma, meu objetivo aqui não é defender a banda, nem que quem leia esse texto se torne fã da banda (nem eu sou, apesar de musicalmente me agradarem, as letras passam muito do que seriam os meus limites), mas mostrar que a) essa banda provavelmente vai estourar e se tornar muito famosa; e b) não podemos analisar a banda de forma simplista simplesmente julgá-la como demoniaca, ou algo do tipo. Ou seja, se agora alguém te perguntar a respeito, ou algum desavisado vê-los mês que vem no Rock in Rio, pelo menos você saberá do que se trata.   

Reunião Com Deus (Con Clavi con Dio)

Lucifer
Nós estamos aqui
Para seu louvor
Maligno

Nossa conjuração canta salmos infernais
E se besunta de manchas em (palmas de) mãos sangrentas

Estamos reunidos
Estamos com Deus
Estamos Com o Nosso "Deus Escuro"

Semideus
Nossa tarefa
Por trás da máscara
Os Escolhidos

Oh, chefe rebelde, destruidor da terra
Se eleva do precipício desde o início

Satanás
Somos um
De três
Trindade

Estamos reunidos
Estamos com Deus
Estamos Com Nosso "Deus Escuro"


Leia mais a respeito da banda:

http://oglobo.globo.com/cultura/slayer-ghost-rock-in-rio-ganha-reforcos-do-lado-sombrio-7077613

9 de ago. de 2013

Videos Dooyeweerd - Video 6 - Sobre a sua própria obra

Atenção, se você ainda não assistiu os videos anteriores, veja aqui 


Estou trabalhando para legendar alguns videos do Herman Dooyeweerd em português para que assim mais pessoas possam ouvir esse filósofo holandês falando. Os videos foram encontrados aqui. É uma entrevista do Dooyeweerd quando ele completou 80 anos, ou seja, em 1974, mas não tem maiores descrições sobre o entrevistador.

Nesse trecho o filósofo fala a respeito do futuro da sua obra e os efeitos que teve até aquele momento. Wijsbegeerte der Wetsidee é o nome da filosofia do Dooyeweerd, que em português foi traduzido como filosofia cosmonômica

Lembrando que essas são entrevistas para a televisão, e Dooyeweerd falou em linguagem bem acessível, para a compreensão do povo, tentei manter essa idéia na legenda.

















Se você não sabe quem foi Herman Dooyeweerd, olhe aqui (em inglês):http://www.allofliferedeemed.co.uk/dooyeweerd.htm

Em português:
http://www.freewebs.com/guilhermecarvalho/hermandooyeweerd.htm

PS. De acordo com o site da filosofia reformacional estes videos são para download, eu só criei a legenda para facilitar o acesso àqueles que não falam o holandês.
http://www.aspecten.org/index.php?structure_id=2bbef2e73e380e9560b34af5cccd3b2e

5 de ago. de 2013

Video Dooyeweerd - video 5

Atenção, se você ainda não assistiu os videos anteriores, veja aqui


Estou trabalhando para legendar alguns videos do Herman Dooyeweerd em português para que assim mais pessoas possam ouvir esse filósofo holandês falando. Os videos foram encontrados aqui. É uma entrevista do Dooyeweerd quando ele completou 80 anos, ou seja, em 1974, mas não tem maiores descrições sobre o entrevistador.
Nesse trecho o filósofo discute a posição do cientista diante dos usos de sua ciência.
Lembrando que essas são entrevistas para a televisão, e Dooyeweerd falou em linguagem bem acessível, para a compreensão do povo, tentei manter essa idéia na legenda.

Se você não sabe quem foi Herman Dooyeweerd, olhe aqui (em inglês):http://www.allofliferedeemed.co.uk/dooyeweerd.htm

Em português:
http://www.freewebs.com/guilhermecarvalho/hermandooyeweerd.htm

PS. De acordo com o site da filosofia reformacional estes videos são para download, eu só criei a legenda para facilitar o acesso àqueles que não falam o holandês.
http://www.aspecten.org/index.php?structure_id=2bbef2e73e380e9560b34af5cccd3b2e

20 de abr. de 2013

Deus está morto?

Desde os primórdios do heavy metal, a inspiração nietzscheana nesse estilo musical tão controverso é clara. Dezenas de bandas fizeram célebres hinos homenageando o filósofo alemão, e gritaram em favor da "morte de Deus" (Um exemplo seria a banda Gorgoroth, com albúns como Antichrist (1996) e Twilight of the Idols (2003) e músicas como “Will to Power”, expõem a mistura que há entre o Metal e a filosofia nietzscheana), proclamada por Nietzsche no final do século 19. Assim, não haveria nenhuma surpresa se olharmos para uma faixa do novo álbum (e, principalmente, single) dos pais (ok, há controvérsias, mas pra mim são) do estilo: o Black Sabbath.
Depois da primeira separação em 1979, Ozzy e os outros integrantes da banda seguiram caminhos distintos, mas tanto a banda como o famoso e polêmico vocalista (provavelmente o personagem mais famoso da cena do metal) sempre se mantiveram na ativa. No entanto, em 2011, se juntaram (3 dos 4 membros originais) e voltaram a produzir um albúm, que acaba de ser lançado, depois de 35 anos.
Grande foi a minha surpresa quando, olhando os nomes das músicas e as letras, além de ouvir as primeiras coisas que eram lançadas em rádios, meus olhos encontrarem um nome muito interessante: "God is Dead?" Pois é, é isso mesmo que você viu, com um ponto de interrogação.
A música em si é muito boa, lembrando os velhos dias do Sabbath e o som arrastado que mais tarde deram origem, por exemplo, ao Doom Metal, e que são uma característica marcante dos primeiros trabalhos do Sabbath.
Mas é a letra que mais me chamou a atenção, já que nela Ozzy Osbourne e Geezer Butler criaram toda uma cena de um "evangelismo ateu", mas, a conclusão final, depois de muito questionamento, é: "I don't believe that God is Dead!"  
Não estou aqui tentando defender uma idéia de que tenham se convertido, nem nada do tipo, mas, vindo de uma banda como o Black Sabbath, pode ter certeza que essa música vai gerar discussão na cena metaleira. Pra mim é um dos muitos pequenos raios de graça comum clamando através dos "rocks" (pedras, interpretação pra lá de duvidosa do versículo, hehe).     

O próprio Ozzy disse, em entrevista a Rolling Stone: "Sabe, algumas das músicas que escrevi até poderiam ser consideradas pró-satanistas ou algo parecido. Mas nunca ninguém fala sobre o fato de que Terry [Geezer Butler] escreve essas letras incríveis. E quando você olha para elas do jeito certo, compreende: esta, que se chama “God is Dead?”, não é sobre Deus estar morto. É sobre alguém lhe dizendo que Deus está morto, e daí eu digo que não acredito que Deus esteja morto. Existe uma mensagem positiva no final da música, não é aquilo de “ah, estou feliz, muito satisfeito de que Deus está morto.” Não é que esteja dizendo que o diabo é quem domina tudo, e essas merdas." ( veja aqui a entrevista completa)

Confira a letra e a música:



Lost in the darknessI
fade from the light
Pray to my father, my brother, my maker and saviourHelp me make it through the night
Blood on my conscience and murder in mind
Out of the gloom I rise up from my toomb into impending doom
Now my body is my shrine
The blood runs free the rain turns red
Give me the wine you keep the bread
The voices echo in my head Is god alive or is God dead?
Is God dead?
Rivers of evil run through dying land
Swimming in sorrow they kill, steal and borrow,
There is no tomorrow for the sinners will be downed
Ashes to ashes you cannot exume your soul
Who do you trust when corruption and lust, creed of all the unjust
Leaves you empty and unwhole?
When will this nightmare be over?

Tell me When can I empty my head?
Will someone tell me the answer?
Is God really dead?
Is God really dead?
You say God is my philosophy until my dying breath
I transfer from reality unto a little dead
I empathize with enemies until a time is right
With God and Satan at my side the darkness will come light
I watch the rain as it turns red
Give me more wine
I don't need bread
These riddles that live in my head
I don't believe that God is dead
God is dead
Nowhere to run
Nowhere to hide
Wondering if we will meet again on the other side
Do you believe a word
What the good book said?
Or is just a holy fairy tale and God is dead?
God is dead
God is dead
God is dead
God is dead
Right!
But still the voices in my head are telling me that God is dead
The blood pours down the rain turns red
I dont believe that God is dead
God is dead
God is dead
God is dead
Fonte: Black Sabbath: confira a letra de "God Is Dead?" http://whiplash.net/materias/news_828/177824-blacksabbath.html#ixzz2R2VNUJyF    


Perdido na escuridão
Me afasto da luz
Rezo para meu pai, meu irmão, meu criador e salvador
Me ajudar a sobreviver à noite
Sangue na minha consciência
E assassinato na mente
Escapando da melancolia, me ergo da tumba rumo a um destino nefasto iminente
Agora meu corpo é meu santuário
O sangue corre livremente, a chuva se torna vermelha
Me dê o vinho e fique com o pão
As vozes ecoam na minha cabeça: Deus está vivo ou Deus está morto?
Deus está morto?
Rios de maldade correm por terras moribundas
Nadando em sofrimento, eles matam, roubam e pegam emprestado
Não existe amanhã para os pecadores, que serão punidos
Do pó ao pó, não é possível eximir sua alma
Em quem confiar quando corrupção e luxúria, o credo dos injustos
Te deixam vazio e incompleto?
Quando esse pesadelo vai acabar?
Me diga quando vou poder esvaziar minha cabeça?
Alguém me dirá a resposta?
Deus está mesmo morto?
Deus está mesmo morto?
Você diz: "Deus é sua filosofia até seu último suspiro"
Me transfiro da realidade para uma pequena morte
Me aproximo dos inimigos até a hora certa
Com Deus e Satanás ao meu lado, a escuridão chegará à luz
Vejo a chuva se tornar vermelha
Me dê mais vinho
Não preciso de pão
Essas charadas que vivem em minha cabeça
Não acredito que Deus esteja morto
Deus está morto
Não adianta correr
Não adianta se esconder
Me pergunto se iremos nos encontrar de novo do outro lado
Você acredita em alguma coisa
O que o bom livro diz?
Ou é tudo um conto de fadas sagrado e Deus está morto?
Deus está morto
Deus está morto
Deus está morto
É Isso!
E as vozes na minha cabeça
Estão me dizendo que Deus está morto
O sangue corre, a chuva se torna vermelha
Não acredito que Deus esteja morto
Deus está morto
Deus está morto
Deus está morto
Fonte: Black Sabbath: Ozzy fala da inspiração para "God Is Dead?" http://whiplash.net/materias/news_828/177877-blacksabbath.html#ixzz2R2VZIbZj